Tratamento
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Diabetes
Mellitus Tipo 1:
Os principais objetivos do tratamento são:
1) promover o controle metabólico, incluindo níveis
euglicêmicos nos períodos pós-absortivos
e pós-prandiais;
2) permitir crescimento e desenvolvimento adequados;
3) promover o bem-estar físico e psíquico;
4) evitar as complicações crônicas.
O tratamento do DMT1 consiste de:
1) terapia médica nutricional (denominação
recomendada para substituir o clássico termo: dieta);
2) atividade física;
3) insulinoterapia.
O tratamento tem melhores resultados quando proporcionado por
uma equipe multidisciplinar, da qual o paciente precisa ser
membro ativo e principal. Desta equipe devem também fazer
parte: o endocrinologista, a nutricionista, o psicoterapeuta,
o educador físico, a enfermeira.
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1.
Terapia Médica Nutricional (TMN):
O valor calórico total (VCT) da TMN deve ser apropriado
para permitir estado nutricional, crescimento e desenvolvimento
adequados. A ingestão alimentar diária deve ser
feita em 3 refeições principais: café da
manhã com 20% VCT, almoço com 20% VCT e jantar
com 30% VCT, e preferencialmente 3 refeições complementares:
meio da manhã e da tarde e antes de se deitar, com 10%
VCT cada uma ou com 5, 10 e 15% VCT, respectivamente.
Cada uma das refeições principais devem conter
os 3 macronutrientes: carboidratos, gordura e proteínas
nas proporções recomendadas para a população
em geral, além dos micronutrientes (minerais), vitaminas
e fibras (cerca de 20 a 30 g/d). Assim, carboidratos e gordura
monoinsaturada devem fornecer 60-70% do VCT (50 a 60% e 10 a
20%, respectivamente), gordura poliinsaturada e saturada devem
fornecer 10 e <10% do VCT, respectivamente, proteína
deve fornecer 15-20% do VCT (0,8 a 1,0 g proteína/kg
peso/dia; as menores quantidades podem estar indicadas nos pacientes
com insuficiência renal).
Com relação aos efeitos glicêmicos dos carboidratos,
a quantidade total dos mesmos nas refeições e
lanches é mais importante que sua fonte ou tipo (açúcares,
oligossacarídeos, polissacarídeos). Recomenda-se
que as principais fontes de carboidratos sejam: cereais, frutas,
vegetais e leite desnatado. Os pacientes sob a terapia insulínica
intensiva devem ajustar as doses de insulina pré-refeição
de acordo com a quantidade de carboidratos da refeição
(contagem de carboidratos) e do nível glicêmico
presente.
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2. Atividade Física:
Atividade física é desejada por seus vários
efeitos benéficos, principalmente em relação
ao sistema cardiovascular, mas deve ser regular, pois há
consumo de glicose pelo músculo em exercício independentemente
da insulina, devendo fazer parte do plano terapêutico.
O alvo mínimo é de 150 minutos/semana (30 min/5
d ou 50 min/3 d, semanalmente).
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3.
Insulinoterapia:
A insulina humana, isto é, insulina sintética
com estrutura idêntica àquela do hormônio
humano, tem em grande parte substituído as insulinas
de origem animal (bovina + suína ou mista, geralmente).
A insulina humana é produzida por síntese química
ou por técnicas do DNA recombinante.
Em busca de uma insulina com características de ação
mais próximas da fisiológica, por meio da engenharia
molecular, surgiram nos últimos anos os análogos
da insulina humana: de curta e longa-ação.
O perfil de ação das insulinas depende de:
- composição do tampão,
- estrutura protéica (análogos),
- via de administração.
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I Tipos de Insulina
a)
Insulinas (análogos) de ação ultra-rápida:
Podem ser aplicadas nas vias: endovenosa, muscular e subcutânea.
Aplicadas no subcutâneo, em relação à
insulina regular, têm absorção mais rápida,
pico mais elevado e tempo de ação mais curto (3
a 4 horas). Assim, permite serem administradas logo antes das
refeições, com melhor controle dos picos glicêmicos
pós-prandiais, e com menor risco de hipoglicemia no período
pós-prandial tardio. Todavia, exigem um maior suprimento
de insulina basal (insulinas de longa ação) e
são mais caras que a insulina regular. Atualmente, dispomos
de 2 destes análogos: 1) a insulina lispro criada pela
inversão na cadeia B da insulina dos aminoácidos
prolina e lisina das posições B28 e B29 para as
B29 e B28, respectivamente; 2) a insulina aspart que resulta
da substituição do aminoácido prolina na
posição 28 da cadeia B da molécula de insulina
humana (B28) pelo ácido aspártico.
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b)
Insulinas de ação rápida:
Geralmente de origem humana, estão contidas em solução
cristalina e são denominadas de insulina regular (R).
Podem ser aplicadas pelas vias: endovenosa, muscular e subcutânea.
As duas primeiras vias são utilizadas em situações
de urgência (ex.: cetoacidose diabética), sendo
necessário o uso de bomba de infusão para a administração
endovenosa da insulina. Pela via endovenosa têm ação
imediata e término de ação em 3 a 5 minutos.
Pela via intramuscular têm início de ação
em 20 minutos, pico de ação em 60 minutos e término
de ação em 120 minutos. A insulina regular é
administrada no subcutâneo 30 minutos antes das refeições
para o controle glicêmico pós-prandial, nas situações
de instabilidade clínica e no período de 48 horas
após a administração endovenosa da insulina
e antes de se iniciar a administração de insulina
de ação intermediária (ex.: NPH ou lenta).
Pela via subcutânea a insulina R tem início de
ação em 30 minutos, pico de ação
em 120 minutos e término de ação em 4 a
6 horas.
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c)
Insulinas de ação intermediária ou lenta:
A adição de protamina e zinco ou de apenas zinco
em maior quantidade ao tampão da insulina em solução
resultou na insulina protamina neutra de Hagedorn (NPH;N) e
na insulina lenta (L), respectivamente. Há formação
de cristais de insulina quando aplicada no subcutâneo,
o que torna sua liberação mais lenta. Só
admite a aplicação no subcutâneo que geralmente
é feita 2 vezes ao dia, sendo a primeira dose 20 minutos
antes do café da manhã (2/3 da dose diária)
e a segunda dose 20 minutos antes do jantar ou antes de o paciente
se deitar (1/3 da dose diária).
Embora,
tenham sido usadas comumente como substitutas da secreção
basal endógena normal, apresentam pico de ação.
Têm início de ação em 2-4 horas,
pico de ação entre 6-12 horas e duração
de ação de 16-20 horas (as de origem animal têm
início de ação mais lento e duração
de ação mais longa).
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d)
Insulinas e análogos de ação prolongada
ou ultralenta:
•
Insulinas:
Com adição ao tampão da solução
de insulina de maiores quantidades de protamina e zinco que
as das insulinas anteriores, obtêm-se cristais de insulina
maiores, que liberam a insulina do
subcutâneo mais
lentamente, sendo denominadas insulinas protamina-zinco (PZI)
e ultralenta (U), respectivamente. Obviamente, só admitem
aplicação no subcutâneo. São pouco
utilizadas, tendo indicação maior para os pacientes
que metabolizam a insulina mais rapidamente. Têm início
de ação em 6-10 horas, pico de ação
em 10-16 horas e duração de ação
de 20-24 horas (para as de origem animal, são válidas
as observações feitas anteriormente).
•
Análogos:
A insulina glargina (recentemente disponível no Brasil)
é produzida pela substituição da asparagina
na posição A21 da molécula da insulina
humana pela glicina e pela adição de 2 moléculas
de arginina na posição B30. Estas modificações
reduzem a solubilidade da insulina glargina ao pH do tecido
subcutâneo, onde precipita lentificando sua absorção
e resultando num suprimento basal constante. Assim, permite
uma aplicação única em associação
a insulina de ação rápida ou ultra-rápida
pré-refeições. Difere das insulinas NPH
ou L quanto a: não tem ação em pico, daí
mais fisiológica no suprimento basal de insulina; provoca
menos hipoglicemias noturnas; proporciona melhor controle glicêmico;
causa menor ganho de peso (vantagens); não permite mistura
na mesma seringa com outra insulina (há alteração
de sua cinética); é mais cara (desvantagens).
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e)
Insulina do futuro próximo: Insulina inalatória
Estudos têm mostrado que a insulina humana R, por meio
de vários dispositivos, pode ser inalada e atingir o
alvéolo, onde é absorvida. Em relação
à via subcutânea, apresentou pico mais rápido
e duração de ação pouco mais prolongada.
Inalada antes de cada refeição tem a função
de controlar os níveis glicêmicos pós-prandiais.
Sua grande vantagem é evitar as picadas, todavia, pelos
sistemas inalatórios disponíveis há perda
de insulina no trajeto respiratório, exigindo maiores
gastos da mesma. Ainda são necessários outros
estudos que definitivamente garantam sua eficácia e segurança.
Com a disponibilidade das insulinas humanas de ação
rápida e lenta o paciente com DMT1 pode ser submetido
ao tratamento convencional, ou melhor, ao tratamento intensivo.
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II
Modos de uso
•
Insulinoterapia Convencional:
Duas doses de insulina NPH ou L: maior dose antes do café
da manhã e menor dose antes do jantar, ou antes de deitar,
aplicadas no subcutâneo. Se há hiperglicemia isolada,
após uma das 3 refeições principais, deve-se
associar insulina R ou lispro/aspart antes da refeição.
Controle glicêmico: glicemias de jejum e pré e
pós-prandiais, as duas últimas, preferencialmente,
por automonitoramento pelo paciente por meio do glicosímetro
(HGT); HbA1C; glicosúria de 24 hs, fracionada (menos
sensível).
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•
Insulinoterapia Intensiva:
É
o indicado para se obter o controle glicêmico necessário
para se evitar as microangiopatias: glicemias de jejum e pré-prandial:
70-120 mg/dL, glicemias pós-prandiais: <180 mg/dL,
HbA1C <7,0%. Pode ser feita de algumas formas:
a) Bomba de infusão contínua de insulina R ou
lispro/aspart no subcutâneo com controle constante da
velocidade de infusão pelo paciente de acordo com a glicemia
(HGT) e a atividade a ser desenvolvida.
b) Insulina glargina no subcutâneo antes de se deitar
ou do jantar e insulina lispro/aspart no subcutâneo antes
das 3 refeições básicas.
c) Insulina NPH ou L no subcutâneo antes de se deitar
e em pequenas doses junto à insulina lispro/aspart no
subcutâneo antes das 3 refeições básicas.
d) Insulina NPH ou L no subcutâneo antes de se deitar
e insulina R no subcutâneo antes das 3 refeições
principais.
Nos esquemas b, c, d as doses de insulina rápida ou ultra-rápida
são determinadas pelo nível glicêmico (HGT)
e a quantidade de carboidratos (contagem de carboidratos) da
dieta a ser consumida.
A insulinoterapia intensiva é a ideal, mas exige que
o paciente tenha dedicação e interesse em controlar
seu diabetes, tenha condições psico e sócio-culturais
adequadas.
O principal efeito colateral da insulinoterapia, principalmente
a intensiva, para o diabético tipo 1 é a hipoglicemia.
Tal decorre dos níveis circulantes de insulina (dose
exógena recebida) não poderem ser diminuídos
com o exercício ou o jejum, o que causa: a) não
diminuição da utilização de glicose
pelos tecidos dependentes de insulina; b) não liberação
de AGL do tecido adiposo; c) supressão da secreção
de glucagon. Ainda, no paciente com DMT1 de duração
de 2 anos ou mais a resposta do glucagon à hipoglicemia
induzida pela insulina está reduzida, assim como a das
catecolaminas, quando o diabetes tem cerca de 15 anos ou mais
de duração. Ambos déficits tornam o combate
e a recuperação de um episódio de hipoglicemia
prejudicados.
As hipoglicemias tornam-se mais perigosas quando acompanhadas
da não percepção das mesmas, pela ausência
dos sintomas de alarme, que possibilitam o paciente de se socorrer
antes que ocorra disfunção do sistema nervoso
central. Normalmente, os sintomas de hipoglicemia aparecem quando
os níveis glicêmicos atingem aproximadamente o
valor de 55 mg/dL, que é superior aos que causam disfunção
do sistema nervoso central. Episódios repetidos de hipoglicemia,
mais freqüentes na insulinoterapia intensiva, parecem estabelecer
novo limiar de percepção de hipoglicemia, agora
mais baixo, tal que a liberação dos hormônios
contra-reguladores não ocorrem no nível glicêmico
esperado. Conseqüentemente, na ausência dos sintomas
de alarme o paciente corre sério risco de sofrer convulsões,
coma e morte. Deve-se, assim, evitar episódios de hipoglicemia.
4. Transplante
Tratamento
mais eficaz para o diabetes seria o transplante do pâncreas
ou das células ß. O primeiro tem sido realizado
junto ao transplante renal há mais tempo e mais freqüentemente,
tendo havido consideráveis progressos na técnica
e nos resultados. Todavia, devido à necessidade de imunossupressão
prolongada, o transplante de pâncreas só está
indicado numa fase tardia da microangiopatia, como a insuficiência
renal crônica. O segundo envolve técnica cirúrgica
bem mais simples e evitaria a terapia imunossupressora, mas,
embora tenha havido progressos, ainda vários obstáculos
técnicos, principalmente em relação ao
número e preservação da vitalidade das
células ß, precisam ser vencidos.
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Diabetes
Mellitus Tipo 2:
Os objetivos básicos do tratamento dos pacientes com
DMT2 não diferem daqueles do DMT1: controle metabólico
com a esperança de se promover a saúde e aumentar
a expectativa de vida. Em contraste com o DMT1, a insulina não
é componente obrigatório da terapia do DMT2, embora
após vários anos de doença ela se torne
necessária.
Entre os diabéticos tipo 2 há um largo espectro
clínico de: disfunção das células
ß, índice de massa corporal e resistência
à insulina que requer uma escolha cuidadosa das várias
opções terapêuticas. Os pacientes com DMT2
sendo mais velhos têm com maior freqüência
associação com outros problemas clínicos,
tais como: hipertensão arterial, dislipidemia e osteoporose,
que precisam ser tratados concomitantemente.
Como para os diabéticos tipo 1, o tratamento para os
de tipo 2 é mais eficaz quando conduzido por uma equipe
multidisciplinar, da qual o paciente precisa ser um participante
ativo.
Também para os com DMT2 a TMN e a atividade física
são os fundamentos da terapêutica. Infelizmente,
em geral a aderência a estas duas condutas, com redução
de peso, é pequena. Assim, com freqüência
é necessária a prescrição de antidiabéticos
orais. Com a evolução da doença, freqüentemente
há necessidade de associação dos medicamentos
orais e por fim da administração de insulina,
para o controle glicêmico.
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1.
Terapêutica médica nutricional:
Tudo
o que foi escrito para o DMT1 é válido para o
DMT2, exceto quanto à necessidade em geral da TMN ser
hipocalórica para o controle glicêmico (principalmente
nos períodos pós-prandiais) e redução
do peso (geralmente trata-se de pacientes obesos). Com a diminuição
de peso há diminuição da resistência
à insulina, com melhora metabólica.
2.
Atividade Física:
O que foi referido para o DMT1 também se aplica para
o DMT2 com o benefício adicional de poder proporcionar
perda de peso.
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3.
Antidiabéticos Orais: (Ver Quadro 3)
a)
Medicamentos que diminuem a resistência à insulina:
a1)
Metformina:
É
uma biguanida que tem menor risco de causar acidose lática
se observadas suas contra-indicações. Age principalmente
diminuindo a neoglicogênese hepática. Pode determinar
perda de peso e reduz os níveis de triglicérides
de 10 a 15% e do inibidor-1 do ativador do plasminogênio
(PAI-1). Os efeitos colaterais mais freqüentes são
distúrbios digestivos: mal estar gástrico, flatulência
e diarréia. Está contra-indicada em: situações
de hipóxia sistêmica (insuficiência cardíaca,
insuficiência respiratória, aterosclerose avançada,
etc), nas insuficiências renal e hepática.
a2)
Tiazolidinedionas ou Glitazonas:
Incluem, atualmente, a rosiglitazona e a pioglitazona. Agem
principalmente ativando o receptor de insulina nos tecidos adiposos,
muscular e hepático com aumento da utilização
de glicose pelos mesmos. As glitazonas ligam-se a um receptor
nuclear proliferador ativado dos peroxisomas γ (PPAR-γ),
levando a um aumento da expressão dos transportadores
de membrana da glicose (GLUT 4). Corroborando com esta ação,
agem também bloqueando as ações antiinsulinas
do TNF-α e de outras citocinas. Como efeito colateral indesejado
tem-se o ganho de peso (2-3 kg). Recomenda-se acompanhamento
da função hepática. São bem mais
caras que a metformina.
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b)
Medicamentos que estimulam a secreção de insulina:
b1)
Sulfoniluréias:
Junto com as biguanidas são os medicamentos mais antigos
utilizados no tratamento do DMT2 e os mais prescritos. São
hipoglicemiantes orais. Têm como principal mecanismo de
ação estimular a secreção de insulina
ligando-se a seu receptor na superfície das células
ß, com fechamento dos canais de K+ dependentes de ATP,
resultando em despolarização das células.
As sulfoniluréias de segunda geração são
mais eficazes e têm menos efeitos colaterais que as de
primeira geração (clorpropamida). Quanto aos últimos,
destaca-se o ganho ponderal e a possibilidade de hipoglicemia.
Estão contra-indicadas nas insuficiências renal
e hepática.
b2)
Glinidas:
Incluem, atualmente, a repaglinida (derivado do ácido
benzóico) e a nateglinida (derivado da D-fenilalanina).
Agem também nas células ß estimulando a
secreção de insulina à glicose. Diferente,
porém, das sulfonilúreias, têm início
de ação mais rápido e duração
de ação menor, estando indicadas para o controle
glicêmico pós-prandial.
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c)
Medicamentos que diminuem a absorção intestinal
de glicose:
Acarbose:
É
um inibidor das α-glicosidases intestinais bloqueando a
entrada da glicose na circulação e controlando
a glicemia pós-prandial, todavia, os dissacarídeos
não absorvidos sofrem fermentação no interior
das alças intestinais pela flora bacteriana causando
os sintomas de: meteorismo, flatulência e diarréia.
Estes efeitos adversos nem sempre são tolerados pelos
pacientes. Iniciando o tratamento com doses baixas de 25 mg
nas refeições, ajuda a tornar tais efeitos menos
intensos. A acarbose também diminui de modo consistente
a trigliceridemia pós-prandial em cerca de 20%.
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d)
Associações:
Geralmente inicia-se o tratamento com antidiabético oral
que diminua a resistência à insulina (ex.: metformina).
Se não se conseguir o controle glicêmico desejado
deve-se associar uma segunda classe de medicamento: glinida
ou acarbose, para o controle das glicemias pós-prandiais
ou sulfoniluréia, para o controle glicêmico nas
24 h. Se necessário, pode-se associar uma terceira classe
de medicamento.
Quadro
3. Principais características dos antidiabéticos
orais.
Medicamentos |
Posologia
(mg) Min-Máx. |
Nº
Doses/ dia
|
Meia-Vida
(h)
|
Metabolismo/
Excreção |
Metformina |
1000
- 2550
|
2
|
2-4
|
-/Renal |
Tiazolidinedionas
|
Roziglitazona |
2
- 8
|
1
|
3-4
|
Hepático/Renal |
Pioglitazona |
15
- 45
|
1
|
3-7
|
Hepático/Renal |
Sulfoniluréias
|
Glibenclamida |
2,5
- 20
|
2
|
6-12
|
Hepático/Renal
e Biliar |
Gliclazida |
80
- 320
|
2
|
12 |
Hepático/Renal
e Biliar |
Glimepirida |
1
- 8
|
1
|
. |
Hepático/Renal
e Biliar |
|
Glinidas
|
Repaglinida |
1
- 4 |
3
|
2
|
Hepático/Biliar |
Nateglinida |
. |
3
|
2
|
Hepático/Biliar
e 10% Renal |
Acarbose
|
150
- 300 |
3 |
2 |
Intestino |
*
Ver Estrutura Química dos Medicamentos.
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4.
Insulinoterapia:
A explanação feita para o DM tipo 1 aqui também
é válida. Deve-se, entretanto, ressaltar que a
maior aderência à introdução da insulinoterapia
em diabéticos tipo 2 ocorre quando o fazemos prescrevendo
uma dose pequena de insulina de ação intermediária
antes do paciente se deitar (“bed-time insulin”),
com manutenção da posologia antidiabética
oral durante o dia. Posteriormente, se necessário, acrescentamos
a segunda dose, pela manhã e retiramos a sulfoniluréia
(se for o caso), enquanto podemos manter a droga oral que diminui
a resistência a insulina (ex. metformina) e até
mesmo as medicações que diminuem a glicemia pós-prandial.

Figura 13 - Diretrizes para o Tratamento da Hiperglicemia no
Diabetes Tipo 2. (Adaptado de JL Gross et al - Arq Bras Endocrinol
Metab. 2000;44(supl 1):5-32)
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5.
Tratamentos Associados (fundamentalmente para os diabéticos
tipo 2).
a) Mudanças
do estilo de vida: Alimentação saudável;
redução de peso; atividade física regular;
abandono de vícios (fumo, álcool, etc.)
b) Obesidade:
Pequenas reduções de peso (5 a 10%) se associam
à melhora significativa nos níveis pressóricos
e nos índices de controle metabólico e reduzem
a mortalidade relacionada ao DM. O tratamento da obesidade deve
iniciar com a prescrição de um plano alimentar
hipocalórico e aumento da atividade física. Se
o resultado for insatisfatório, pode-se empregar medicamentos
como: noradrenérgicos, serotoninérgicos, associação
de ambos, ou inibidores da absorção intestinal
de gorduras, ou até a cirurgia bariátrica (IMC
≥40 kg/m2).
c)
Hipertensão Arterial Sistêmica: Meta: <130x85
mmHg.
Além das medidas gerais, freqüentemente, é
necessário prescrever um ou uma associação
de medicamentos anti-hipertensivos:
1) Inibidores da enzima conversora de angiotensina (primeira
escolha): bem tolerados, não afetam o metabolismo, associam-se
à redução da hipertrofia de ventrículo
E e à proteção renal ou antagonistas do
receptor da angiotensina;
2) diuréticos: indapamida, clorotiazídico;
3) ß-bloqueadores (cardioseletivos);
4) bloqueadores de canais de cálcio (não diidropiridínicos);
5) vasodilatadores diretos (associados a diuréticos e/ou
ß-bloqueadores).
d)
Dislipidemia: Metas: Colesterol total: <160 mg/dL,
LDL: <100 mg/dL, Colesterol não-HDL: <130 mg/dL;
HDL: >45 mg/dL TG: <150 mg/dL.
O tratamento da dislipidemia é extremamente importante
em pacientes diabéticos, devido à elevada prevalência
de doença coronariana. Assim, as metas são aquelas
preconizadas como prevenção secundária
em indivíduos não-diabéticos.
O tratamento nutricional (↓ gordura
saturada) é fundamental e deve-se estimular a atividade
física (propicia ↓
triglicérides e ↑
HDL-C).
Devemos lembrar a interferência de alguns medicamentos:
• insulina: ↓
TG e ↑
HDL-C;
• sulfoniluréias
e metformina: melhoram o perfil lipídico em função
do controle glicêmico;
• acarbose: ↓
TG;
• glitazonas: ↓
TG mas ↑
LDL-C;
• ß-bloqueadores
e diuréticos tiazídicos: ↑
colesterol e, mais acentuadamente, ↑
TG.
Recomenda-se aguardar por cerca de 2 a 3 meses o efeito das
medidas gerais (reduzir e atingir o peso desejável pela
adequação da alimentação combinada
ao aumento da atividade física; normalização
do nível glicêmico). Se o resultado é insatisfatório,
introduz-se o tratamento medicamentoso.
Os medicamentos de primeira escolha são as estatinas
e os fibratos. As estatinas reduzem a síntese do colesterol
por inibição competitiva da enzima HMG CoA-redutase.
Os derivados do ácido fíbrico diminuem a produção
hepática de VLDL e ativam a enzima lipase-lipoprotéica
localizada no leito capilar dos tecidos adiposo e muscular,
diminuindo os níveis de triglicérides.
Lembramos que estes medicamentos devem ser iniciados juntamente
com as medidas alimentares quando ocorre:
- hipertrigliceridemia >700 mg/dL, com risco de pancreatite
aguda,
- aumento isolado de LDL-C >200 mg/dL;
- doença cardiovascular.
e) Aspirina: A aspirina está indicada:
• em dose baixa (75 a 325 mg/dia), nos diabéticos com
complicações vasculares;
• como estratégica de prevenção primária,
quando há pelo menos um dos fatores: tabagismo, HAS,
obesidade, micro e macroproteinúria e história
familiar de coronariopatia; ou
• como profilaxia auxiliar das doenças cardiovasculares,
em todo diabético acima dos 30 anos de idade.
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